A inovação tecnológica para preservar comunidades e legados culturais

A inovação tecnológica para preservar comunidades e legados culturais

Já parou para pensar como a história dos nossos ancestrais influencia o momento atual da humanidade? Será que olhar para o passado nos ajuda a aprender com os erros cometidos a fim de evitar repeti-los no futuro? Da nossa língua nativa aos nossos sistemas de crenças – o que somos hoje, certamente, é reflexo de um conjunto de fatores herdados da história dos nossos antepassados. 

Reconhecer a cultura de um povo como herança, um patrimônio cultural a ser mantido através de registros, nos ajuda tanto a preservar culturas e saberes ancestrais que definiram a diversidade da humanidade ao longo dos anos, como a construir um futuro equânime, fundamentado no conhecimento. 

Se por um lado o avanço da tecnologia e a distribuição de conteúdo virtual para públicos completamente segmentados contribuiu com a falta de interesse em manter registros de algumas culturas que desapareceram ao longo dos anos, por outro viés, a inovação tecnológica tem revelado seu potencial para a preservação do patrimônio cultural de povos e comunidades, contribuindo para que jamais percam a sua existência, fortalecendo a memória social e a formação de identidade das gerações posteriores. 

Cultura e desenvolvimento econômico

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 teremos, em média, 70% da população global vivendo em cidades e em centros urbanos. É preciso considerar que o Brasil é um dos países mais populosos do mundo e ainda sofre as consequências de uma urbanização acelerada, movida por ampla desigualdade social e ausência de recursos públicos – o que afeta diretamente a forma como o país fomenta e desenvolve políticas no âmbito cultural.  

É fato que não há sociedade sem cultura, pois, o legado histórico de uma nação é essencial para a formação de gerações posteriores e para o crescimento econômico do país, em termos de educação. Por isso, é de interesse do governo registrar, cultivar e preservar as histórias que formaram a imensa diversidade cultural do Brasil, preservando memórias de maneira democrática e inclusiva. Entretanto, apesar do Estado desenvolver políticas públicas culturais, não é de responsabilidade exclusiva dos órgãos públicos definir o que será realizado, mas, sim, uma responsabilidade compartilhada que deve contar com a colaboração entre diversos atores, incluindo a participação da sociedade civil e da esfera privada.

Considerar a cybercultura, ou seja, agregar a inovação tecnológica para o desenvolvimento de comunidades, integrando metodologias e sistemas de dados para garantir a preservação e o acesso à herança cultural de povos nativos por meio da colaboração entre as esferas público e privada, promove, também, o fortalecimento da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, que já contribui em 3% do PIB mundial, gerando renda anual de US$ 2,25 bilhões e quase 30 milhões de empregos no mundo – de acordo com a publicação da UNESCO. 

Tecnologia para preservar legados culturais 

As escolhas que são feitas ao longo da história de um povo sobre quais memórias serão preservadas para as futuras gerações revela muito sobre a forma de vida daquele grupo. O que faz parte dessas memórias? Monumentos e objetos sagrados? Um idioma nativo ou cânticos populares? É uma escolha que parte da comunidade, mas que precisa do apoio do poder público para fomentar o impacto social, desenvolver políticas, destinar verbas que possam colaborar com a conservação e manutenção do patrimônio, além dos mecanismos que aumentam o interesse e a participação das entidades privadas, para que possam enriquecer a experiência por meio de tecnologias ao construir e apresentar determinado acervo. 

Um case recente que faz uso da inovação tecnológica para permitir que comunidades indígenas sobrevivam, ultrapassando barreiras geográficas para conscientizar sobre seus saberes e metodologia de vida, é o caso da comunidade Guarani e Kaiowá. Por conta dos constantes ataques em suas terras, a comunidade indígena Guarani e Kaiowá, localizada na região do Mato Grosso do Sul, percebeu a importância – e a urgência – de registrar sua herança cultural. Por meio da colaboração com o UCL MAL, o Laboratório Britânico de Multimídia e Antropologia, a comunidade atuará de forma direta na construção de seu próprio acervo cultural, que será apresentado para um público internacional, através de realidade virtual. Além de preservar sua história, patrimônio e cultura, o projeto também terá impacto global sobre a conscientização de saberes ancestrais e de como é a vida nas comunidades indígenas do Brasil. 

Outra questão muito discutida em pautas sobre a preservação da cultura, é o fato de que ao menos 43% das 6 mil línguas faladas no mundo estão próximas da extinção, conforme o Atlas Mundial das Línguas em Perigo, desenvolvido pela UNESCO. 

O case do Google, nomeado Woolaroo, é um dos exemplos de uma iniciativa privada, que atua em colaboração com instituições públicas do mundo todo, capaz de desenvolver um sistema por meio de inteligência artificial e bibliotecas de código aberto, para preservar idiomas indígenas em risco. O aplicativo conta com a participação ativa da sociedade civil para manter registros que colaboram com a preservação e a essência dos 10 idiomas já presentes na plataforma. 

A inovação tecnológica pode permitir que o desaparecimento deixe de ser uma ameaça aos legados culturais e às histórias de comunidades, fomentando o desenvolvimento social e contribuindo para um futuro melhor através do conhecimento acessível. Se você se interessou sobre o tema, clique aqui para descobrir mais sobre o futuro da tecnologia.

Por Janaína Marsolla

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