Educação para o futuro: a inovação dentro e fora da sala de aula

Educação para o futuro: a inovação dentro e fora da sala de aula

Vivemos um momento da história da humanidade na qual a importância da educação se revela nas mais diversas formas. Como processo de facilitação da aprendizagem, incentivo à aquisição de novos conhecimentos e habilidades e como meio para desenvolver valores, senso moral e consciência crítica. Mas para além de tudo isso, a educação é um dos principais caminhos para reduzir as desigualdades sociais. É dela que grupos mais vulneráveis podem alcançar melhores oportunidades. Contudo, não é de hoje que enfrentamos diversos desafios relacionados à qualidade do ensino.

Segundo pesquisa do DataFolha, 4 milhões de estudantes abandonaram a escola em 2020 e 17,6% não tem intenção de voltar. O risco de evasão escolar nas escolas públicas do Brasil é grande e os motivos são diversos, desde a falta de acesso às tecnologias (como computadores e internet), à criação de um sistema de capacitação de professores para a educação híbrida, até o planejamento de políticas públicas. Melhorar a qualidade da educação básica é tão urgente que é pauta prioritária entre os países do G20 (grupo formado por líderes mundiais com a intenção de definir os rumos da economia global).

É evidente que repetir os mesmos métodos para lidar com tais questões é ineficaz, mas então, o que fazer? É preciso inovar para resolver problemas complexos como esses. Para falar sobre esse tema, Tiago Maluta, do Laboratório de Inovação da Fundação Lemann; Débora Garofalo, coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e Alcielle dos Santos, doutora consultora em educação na rede pública e privada de ensino, trouxeram suas visões, no Diálogos.Gov, evento realizado pelo hub de inovação aberta do Governo do Estado de São Paulo, IdeiaGov. 

Em uma conversa riquíssima, mediada pelo diretor de operações do IdeiaGov, Felipe Massami Maruyama, essas três pessoas, que vivenciam os desafios de uma educação integrativa diariamente, discutiram como visualizam na inovação uma ferramenta para ajudar a criar soluções para suas dificuldades dentro e fora da sala de aula.

Quando pensamos em inovação no contexto de educação, o termo pode ser rapidamente vinculado a tecnologias futuristas, dispositivos sofisticados ou projetos caros. Mas, será isso mesmo?

“Inovar em educação é inovação social. Sempre vi a inovação como uma parceira da trajetória escolar e por mais que ela me provocasse questionamentos, como por exemplo: ‘sobre qual inovação estamos falando?’, eu sabia que em educação a inovação precisa ser endógena, incluir pessoas e ser participativa. Tem que ter foco no coletivo. Não deve ser impositiva e feita sem consulta. Não é perguntar se você quer ou não quer, mas sim, como a gente pode fazer? Temos a chance de atingir a inovação social colaborativa para resolver problemas mundiais em um âmbito local”, diz Alcielle.

Para Tiago Maluta, a melhor definição para inovação na educação é quando é possível promover a mudança de comportamentos humanos a fim de conseguir melhorar a vida das pessoas. Ele também citou a importância dos dados e apontou a inovação como uma maneira de auxiliar os profissionais da área, principalmente  professores, a obterem as informações que precisam.

Com visão semelhante,  Débora Garofalo também pontuou que a inovação é uma ferramenta para transformação social, mas que é preciso desvincular a inovação da tecnologia, tendo ela como um meio e não como a entrega principal. Um exemplo citado foi a questão da falta de verba para investimento em dispositivos tecnológicos e que isso não pode ser um impedimento para parar de pensar na inovação. Débora já entregou um projeto de robótica com baixo orçamento. Ela, junto aos seus alunos, utilizou o lixo, que era um problema latente da escola, como matéria prima para conseguir tirar do papel a sua ideia.

“Quando olhamos para a educação as pessoas ainda tem um complexo de que precisamos de coisas hitech. Inovar não é isso, é resolver os problemas sociais que temos nas nossas mãos. Dar a oportunidade do aluno experimentar e aprender de outras formas. Não acredito que a inovação deve ser trancada em uma sala de aula. Eu acredito em envolvimento de território e de sociedade”, declara Débora.

Os professores também foram pontos centrais da discussão. Os participantes destacaram a necessidade de capacitações específicas e voltadas para habilidades interpessoais, principalmente agora durante a pandemia, na qual muitos profissionais tiveram suas capacidades de trabalho questionadas devido a necessidade de adaptação à digitalização. De acordo com Alcielle dos Santos, os seus colegas têm estado em oposição à tecnologia e estão largando a carreira. “Precisamos olhar para isso, para ajudá-los. Estamos perdendo saberes. O digital tem liquidez e os professores estão cansados. Não podemos restringir a formação dos professores somente a tecnologia, precisamos pensar sobre o emocional de pessoas que estão sofrendo e precisam de atenção”, afirma.

Assista o bate papo na integra:

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