Inovação aberta em governos: nuances de um aprendizado global

Inovação aberta em governos: nuances de um aprendizado global

A transformação digital é a grande novidade deste início de século. Antes dela, as indústrias cresceram e se fortaleceram ao buscar e implementar continuamente novas formas de realizar seus processos, investindo na criação de áreas especializadas ou departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento. Nesse sentido, a busca constante por inovação gerou impactos sem precedentes para o desenvolvimento econômico durante o século XX.

Com as novas tecnologias da informação, as empresas perceberam que a busca por inovação deve obedecer métodos de tentativa e erro, envolver equipes multidisciplinares e considerar o ponto de vista do usuário do produto ou serviço. É a inovação aberta, que nasce e se difunde no setor privado e posteriormente alcança a gestão pública.

Em todo o mundo, os governos atualmente consideram a inovação aberta um instrumento fundamental para induzir o desenvolvimento econômico, por meio do fomento ao ecossistema de inovação e da aquisição de soluções já desenvolvidas pelo mercado. Contudo, especialistas enfatizam que, ao introduzir mudanças dentro de uma ordem já existente ou anteriormente planejada, como os organismos públicos, é fundamental considerar as práticas e processos que afetam o conjunto do sistema, assim como atentar para os alcances e limites das dinâmicas político-institucionais.

Em outras palavras, os esforços para a inovação em governo devem levar em conta o papel dos servidores públicos, envolver as áreas jurídicas e dialogar com órgãos de controle administrativo. O desafio é grande. Para enfrentá-lo no dia a dia, iniciativas que compartilham conhecimento sobre práticas e estratégias adotadas por governos ao redor do mundo são necessárias. É o caso da The CiviTech Alliance, uma rede global de organizações públicas, privadas e do terceiro setor, unidas pelo desejo de impulsionar o desenvolvimento de tecnologias dedicadas a facilitar a prestação dos serviços públicos. Na América Latina, apenas dois organismos públicos integram a rede: o IdeiaGov e a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP).

A troca de conhecimentos sobre o tema da inovação em governo também acontece em iniciativas como o 1º Fórum de Inovação em Governo, realizado pelo IdeiaGov em março de 2021. Durante o evento, Alexander Holt, gerente de oportunidades emergentes e parcerias da Diretoria Digital do governo escocês, destacou que existem três grandes questões que devem ser enfrentadas por governos que buscam promover a inovação aberta: em um mundo em que a tecnologia evolui tão rapidamente, como procurar o que ainda não existe? Como alavancar o poder de compra do Estado para fornecer, por um lado, melhores serviços públicos, e paralelamente fomentar oportunidades de desenvolvimento econômico? E, por fim, como criar capacidade institucional e promover uma cultura que substitua a aversão a riscos por uma maior receptividade à inovação? 

“Há seis anos, ingressei na Diretoria Digital. Eu vinha do setor privado, e de repente, de vendedor de soluções, passei a comprador. Logo conversei com investidores, startups, pesquisadores e incubadoras, para compreender como era a relação com o governo. Em busca de respostas para essas questões que surgiram, fizemos 146 reuniões e posteriormente lançamos 47 desafios em cinco ciclos. Com isso, vivenciamos um grande número de situações que pudemos estudar detalhadamente, em um esforço conjunto com outros setores”, contou Holt. O caso escocês demonstra que estas três grandes perguntas suscitaram um grande número de novas perguntas, que foram sendo respondidas de acordo com as possibilidades, caso a caso. Um exemplo de que, para fazer inovação aberta, é preciso tentar, errar e compartilhar.


Por Rafaela Marques

Quer saber mais sobre esse tema?
Assista “Como governos pelo mundo tem adotado práticas de inovação aberta?

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