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Inteligência Artificial para o diagnóstico complementar da Covid-19: em desafio do IdeiaGov, soluções experimentais foram testadas no Hospital das Clínicas

Inteligência Artificial para o diagnóstico complementar da Covid-19: em desafio do IdeiaGov, soluções experimentais foram testadas no Hospital das Clínicas

A crise sanitária imposta pelo Covid-19 levou líderes políticos de todo o mundo a buscar respostas nas iniciativas de inovação em governo. Em São Paulo não foi diferente. Diante da urgência, o Programa IdeiaGov e o Hospital das Clínicas da Universidade São Paulo direcionaram esforços para o atendimento de demandas relacionadas à pandemia 

Assim, no início de julho de 2020, no âmbito do projeto “IdeiaGov contra o COVID-19” foi lançado o desafio “Uso de inteligência artificial em exames de imagem”. O edital visava apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e inovadoras que auxiliassem no diagnóstico da Covid-19 por meio do uso de Inteligência Artificial (IA) na análise de exames de imagem, como Tomografia Computadorizada e Raios-X de tórax.

Uma Comissão de Análise da Chamada Pública (CCTI/SDE 03/2020) verificou a pertinência, a adequação e o mérito das propostas submetidas, de acordo com os seguintes critérios: diferenciais da solução em relação a outras tecnologias e opções existentes no mercado; estágio ou grau de maturidade da solução; barreiras relacionadas ao desenvolvimento da solução e à produção (legais, operacionais, de recursos); prazos estimados para a produção e entrega do produto. 

Ao final deste processo, duas empresas foram selecionadas: 

  • Visibilia, que desenvolveu a solução Fadcil para diagnóstico de Covid-19 em exames de tomografia computadorizada de tórax; e
  • Otawa Health, desenvolvedora da solução AIIACOVID-19, destinada a apoiar o diagnóstico de Covid-19 em exames de raio-x de tórax.

As soluções utilizam algoritmos de inteligência artificial para apoiar o diagnóstico do Covid-19, apresentando o grau de lesão pulmonar e ajudando os médicos a priorizar quem precisa do tratamento mais urgente e decidir sobre os protocolos a serem seguidos. 

As tecnologias ficaram em operação no InovaHC entre setembro e novembro de 2020, em testes controlados. Em março de 2021, o órgão apresentou um relatório completo de avaliação das novas soluções, produzido com o apoio de radiologistas que orientaram as análises. 

“Muitas vezes, mais do que o diagnóstico, a equipe médica busca entender porque a inteligência artificial fornece uma determinada resposta. Para entregar esse resultado, foi preciso reformular alguns elementos e reavaliar questões técnicas”, explica Nathalia Camillo Silva, Diretora Executiva e fundadora da Visibilia. “Normalmente um produto é desenvolvido às cegas pela empresa, com uma validação apenas comercial. Esse processo desenvolvido em conjunto com o IdeiaGov e o InovaHC permitiu que, depois de descartadas várias soluções que não faziam sentido, houvesse uma validação técnica muito importante”, completa. 

Agora, um acordo de PD&I está sendo assinado entre as startups e o HCFMUSP para continuar o desenvolvimento dos algoritmos, com a possibilidade de ampliar o diagnóstico complementar de outras doenças pulmonares. O contrato terá vigência de doze meses, e no dia 6 de agosto de 2021 foi publicado Extrato no Diário Oficial do Estado de São Paulo oficializando o encaminhamento. 

Paulo Gusmão, CEO da Otawa Health, explica que finalizado esse período, será feita a transferência de tecnologia para o Hospital das Clínicas, dentro de alguns parâmetros. “No futuro, havendo a possibilidade de comercialização dessa solução, o HC também terá direito a um percentual de royalties. Nosso propósito é expandir a solução para detectar tuberculose e estadiamento do câncer pulmonar”, destaca.

Esse, aliás, é um desejo partilhado pelos demais envolvidos no desafio. “A missão é fazer os processos de um jeito que as soluções possam ser aproveitadas por outros órgãos da saúde pública, também na atenção primária e secundária. No HC há esforço para modernizar a saúde, usando processos digitalizados, por exemplo. As estruturas criadas nesse desafio permitem identificar quais infraestruturas precisam ser criadas antes da aquisição de uma solução de IA”, afirma Bruno Kunzler, responsável pelo laboratório de inteligência artificial do InovaHC. 

A chave para concretizar esses avanços é alinhar expectativas e definir papéis e atribuições claramente, compreendendo que os processos internos de startups e governos são diferentes, assim como os arranjos jurídicos que balizam a atuação destes últimos. Neste sentido, o desafio dentro do desafio foi definir a forma de contratação das empresas selecionadas, considerando que todos os envolvidos estavam aprendendo como fazer inovação em governo. Com o objetivo de efetivar a compra das soluções, os modelos jurídicos disponíveis foram exaustivamente estudados e discutidos pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), um dos parceiros envolvidos no projeto. 

Por isso, Ivisen Lourenço, Gerente de Inovação e Ecossistema do InovaHC, acredita que poder contar com o IdeiaGov, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a expertise dos demais atores envolvidos, foi fundamental para criar um ecossistema que garantiu o sucesso da iniciativa: “O modelo foi muito bem-feito, os critérios de avaliação das empresas, a plataforma que rodou o desafio de AI, a metodologia que estava por trás do projeto. Essa fase de conseguir gerar um encaminhamento (para a contratação) é essencial. O IdeiaGov e o apoio jurídico da PGE foram fundamentais até aqui, e continuarão sendo”, enfatiza.


Por Rafaela Marques

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