Mensurar a inovação pública pode nos levar a resultados ainda melhores

Mensurar a inovação pública pode nos levar a resultados ainda melhores

Os acontecimentos globais dos últimos anos estão entre os fatores que mais influenciaram o investimento em novas tecnologias, impulsionando o ecossistema de inovação na gestão pública e viabilizando conexões entre as esferas público-privada para desenvolver soluções que agregam valor à população. 

Para ofertar serviços públicos com maior eficiência, agilidade e estabelecer um elo de confiança na relação entre Estado e sociedade, é preciso ir além da modernização e apostar na inovação pública – termo que tem sido bastante explorado dentro do corporativismo nos últimos anos – para desenvolver novas políticas e serviços que possibilitam servir a população.

Inovar na gestão pública é fundamental, mas o Estado não atua de forma isolada. O empreendedorismo no setor público conecta empresas privadas e startups, como as Govtechs, com o objetivo de fomentar a inovação no setor, a partir do uso de dados e de novas tecnologias para que melhores serviços sejam desenvolvidos. 

Apesar de não ser a única alternativa disponível, o trabalho de inovação por meio da colaboração entre os setores público e privado têm revelado seu grande potencial para resolver as demandas do país, desde as mais simples até as mais complexas, possibilitando a implementação de soluções que buscam melhorar a vida nas cidades brasileiras. 

Se inovar na gestão pública é melhorar a vida da população, como, então, comprovar sua eficácia? 

Quando os serviços ofertados são de qualidade, o público rapidamente percebe e responde através do nível de satisfação e da adoção ao uso dos recursos oferecidos. Entretanto, mensurar a inovação e o desempenho de seus resultados ainda é uma incógnita e pode ser uma prática desafiadora no setor público. Os contextos que guiam a inovação na gestão pública evoluem constantemente e podem mudar a qualquer momento, tornando necessário certa flexibilidade do ecossistema de empreendedorismo inovador para se adaptar às demandas emergentes da sociedade.

Ainda que grande parte das empresas tente mensurar projetos de inovação da forma convencional, as medidas focadas em inovação requerem testes, hipóteses e um modelo de negócio específico, com objetivos e métricas próprias, assim como mapeamento de riscos, uma vez que está intimamente ligada à imprevisibilidade de resultados. Não é preciso desenvolver fórmulas complexas para medir a eficácia da inovação, mas é importante definir estratégias, prioridades e pequenas metas que orientam para o objetivo final. 

Além de pesquisas para medir a satisfação dos usuários de determinado serviço, de acordo com Fred Santoro, head de startups na AWS, há, sim, fórmulas que podem ser aplicadas para medir a eficácia de um projeto inovador, que podem ser utilizadas tanto pelo setor público quanto pelo setor privado. São elas: 

  • Índice do Sucesso da Inovação (ISR Innovation Success Rate);
  • Eficiência do Investimento em Inovação (EII Efficiency of Innovation Investment);
  • Amplitude da Inovação (Innovation Magnitude);
  • Nível de Satisfação das partes envolvidas no projeto (NPS Net Promoter Score).

Independente da fórmula utilizada para medir a eficiência da inovação, o indicado é que o projeto seja medido por progresso, ou seja, que cada etapa do processo seja acompanhada por métricas específicas, compreendendo a atual fase do projeto, o tipo de negócio e de produto, área de atuação e estratégia das partes envolvidas. Para tanto, o uso de tecnologia em inteligência de dados pode ser de grande auxílio para monitorar os indicadores de resultados obtidos a curto, médio e longo prazo, mas não se fazem completamente necessários, se estiverem indisponíveis. 

Um grande exemplo sobre definir pequenas metas que direcionam para o objetivo principal da inovação é o Laboratorio de Gobierno do Chile, que comprova a eficácia do impacto positivo obtido por meio de análise de dados simples, através do desenvolvimento de uma metodologia própria que consolida as melhores práticas da gestão Ágil para aplicar em projetos de inovação e avaliar as diferentes fases do processo:  desde a identificação do problema até a avaliação de resultados com um projeto piloto, realizado com uma pequena amostra de pessoas para que, então, seja implementado em sua totalidade. 

A importância de mensurar e validar a inovação

As inovações públicas devem ter como objetivo final entregar serviços ainda melhores para a população. Definir bases para acompanhar o desenvolvimento do projeto através de dados e evidências que podem ser analisados de forma simples para auxiliar em eventuais tomadas de decisões e comprovação da eficácia do projeto, permitem detectar oportunidades de melhorias e desenvolver novas metodologias capazes de ampliar a efetividade das ações, impactando positivamente a população. 

Apostar em um modelo de inovação pública ágil, descentralizador e eficaz, requer o desenvolvimento de um sistema próprio de medição de dados, com estrutura simples para que seja compreendido por qualquer indivíduo ou empresa envolvida no projeto, viabilizando a implementação de novas ações ao promover e fortalecer a inovação pública no país. 

Medir a inovação no setor público possibilita que novos projetos sejam implementados e aperfeiçoados, a fim de ofertar os melhores recursos para a sociedade. A mensuração e validação dos dados para obter comprovação do resultado das ações, contribui com a utilização consciente dos recursos públicos e permite não só automatizar processos, mas também gerar benefícios para a população. 

Se interessou pelo assunto? Confira aqui um case de inovação aberta com eficácia comprovada testada no Hospital das Clínicas em pacientes que foram infectados com Covid-19. 

Por Janaína Marsolla

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