Metaverso: utopia futurista ou futuro da internet?

Metaverso: utopia futurista ou futuro da internet?

Há quem aposte que a tecnologia é capaz de salvar nosso planeta dos danos causados pela humanidade, sendo capaz até de salvar a própria civilização das doenças do século, como ansiedade e depressão. Mas há também quem diga o contrário. Fato é que as tecnologias emergentes são a extensão mais natural da mente humana e o metaverso está aí para nos provar. 

Denominado a “próxima fronteira na conexão social”, segundo Mark Zuckerberg – fundador do Facebook – o metaverso é a mais nova tendência de perfil revolucionário que surge de tempos em tempos, assim como aconteceu com o boom das redes sociais no passado. Entretanto, o metaverso garante potencial ainda maior, com promessas de investimentos bilionários pelas gigantes da tecnologia, mais conhecidas como big techs.

O conceito em ascensão, mencionado pela primeira vez na década de 1990, no livro Snow Crash, de Neal Stephenson, promete ser a grande tendência para os próximos anos. No entanto, seu futuro ainda é incerto. 

De forma bastante simples, o metaverso é um espaço relacional compartilhado na web, que integra o mundo online e offline ao mesmo tempo, através de experiências físicas criadas – ou recriadas – no ambiente digital. É o nascimento de um novo ecossistema virtual, complexo e eficaz, principalmente para pessoas que estão separadas geograficamente. Desenvolvido como uma estratégia de omnichannel para estreitar as relações físico-virtuais e aprimorar a experiência do usuário, o metaverso não é só mais uma rede social ou um novo ponto para socialização, mas, sim, um espaço onde a vida acontece. É a fusão entre o mundo real e o digital que pode mudar a vida de milhões de pessoas ao transportá-las através de experiências digitais imersivas com alto grau de realismo. 

Apesar do grande potencial, há controvérsias sobre sua eficácia frente aos perigos do mundo virtual, cercado de possibilidades fascinantes, mas que se não utilizada de maneira apropriada e segura, poderão resultar em grandes danos. O cineasta Steven Spielberg propõe uma crítica construtiva a respeito do tema no filme “Jogador Nº1”, uma distopia baseada no best-seller de mesmo nome do autor Ernest Cline. No filme, Spielberg relata uma possibilidade preocupante sobre este novo universo se tornar o que eventualmente chamaremos de “vida” ao retratar uma sociedade virtual alternativa que nega – e foge – do mundo real, utilizando avatares digitais para um mergulho em suas próprias realidades paralelas como válvula de escape. 

Metaverso e seus impactos no ambiente de trabalho

Impulsionado pela pandemia, o cenário atual é de completo avanço em termos de inovação tecnológica, fator essencial para fomentar a criação de novos caminhos a serem explorados. A partir da ascensão dessa tecnologia emergente que aponta para um futuro promissor, os negócios que não quiserem ficar para trás, precisarão estudar maneiras de se adaptar e voltar parte de seus esforços à nova realidade que estimula atividades, hábitos e mentalidades de caráter social no espaço digital.

Este ecossistema em ascensão que trata da imersão híbrida já começa a se tornar realidade entre corporações que exploram a tecnologia e os impactos do metaverso no ambiente de trabalho para criar espaços relacionais virtuais, onde os colaboradores podem fazer reuniões, treinamentos e projetos como se estivessem juntos no ambiente presencial. No universo corporativo, há a expectativa de que o metaverso seja uma ferramenta importante de auxílio para profissionais que passam muito tempo isolados, auxiliando a combater o sentimento de solidão que afeta a saúde mental e a produtividade de grande parte da população. 

É como se as pessoas estivessem juntas no escritório, vivenciando experiências visuais e, quem sabe, sensoriais, em um futuro um pouco mais distante. No ambiente de trabalho, um dos destaques do metaverso é viabilizar novas oportunidades para interação social, através de experiências naturais entre pessoas que não estão fisicamente conectadas, permitindo uma transição agradável entre o ambiente físico e o virtual. 

Mercado financeiro em expansão

Com propriedades relacionais profundas, o metaverso nos faz um convite para repensar e ressignificar as relações individuais e coletivas com o nosso entorno. Reconhecer oportunidades de novas demandas, produtos e serviços a partir desta tecnologia, é o primeiro passo para mudanças estratégicas, principalmente no ambiente corporativo. 

Empresas desenvolvedoras de metaversos recebem altos investimentos para fomentar o desenvolvimento da tecnologia e já são avaliadas em US$45 bilhões, podendo ultrapassar a marca de trilhões de dólares se as expectativas forem alcançadas – e há um potencial gigantesco para que isso aconteça! Entre os esforços divulgados pela Meta Inc., há um investimento em US$ 50 milhões para construir o metaverso a partir de tecnologias que permitam o reconhecimento facial, viabilizando também sentir a pressão e o peso dos objetos virtuais, além do investimento anunciado em US$ 1 bilhão em empresas que trabalham com leitura de impulsos neurais, para que os usuários transitem pelo metaverso utilizando apenas o desejo de tomar uma ação, como por exemplo, deslizar a tela para a direita.

“Parece que o Metaverso não está sendo pensado como um espaço público para cidadãos, mas, sim, como uma plataforma de marketing para consumidores” – afirma David Carol, professor de Design Virtual na New School (EUA).

Recentemente, o mercado movimentou mais de R$30 milhões em apenas três vendas, incluindo o recorde de valor na venda de um iate virtual. O interesse por ativos e propriedades no digital têm aumentado consideravelmente, levando as plataformas a registrar vendas de terrenos com valores milionários. Até o momento, as compras que mais impactaram o setor foram registradas em um iate virtual de R$3,6 milhões e em dois terrenos digitais, no valor de R$14 milhões e US$2,3 milhões respectivamente, sendo este último dentro da plataforma do jogo Axie Infinity.

O metaverso pode se tornar uma ferramenta de receita anual equivalente a mais de 1 trilhão de dólares, segundo a última análise publicada pela Grayscale, a maior gestora de criptoativos do mundo. De acordo com o estudo apresentado ao longo da análise, nós passamos mais tempo no mundo virtual do que estávamos habituados e, consequentemente, gastamos mais dinheiro para existir dentro dele, obtendo experiências e sustentando um status social digital dentro das comunidades online. Compreender as novas tendências econômicas, assim como grandes nomes no segmento da moda já começaram a fazer, pode beneficiar inúmeras empresas em termos de inovação e otimização de processos dos mais diversos ecossistemas.

Perspectivas para tornar o metaverso uma realidade mais próxima

Apesar de enfrentar desafios relacionados ao desenvolvimento técnico da ferramenta e mão de obra especializada, é arriscado ignorar o futuro promissor do metaverso, uma vez que a tecnologia apresenta números que apontam para seu potencial de consolidação, tornando-a uma realidade cada vez mais próxima. 

Pensar em um futuro imersivo e altamente tecnológico, pode ser desafiador. É claro que será necessário compreender as atuais barreiras dessa estrutura para fazer do metaverso um ambiente virtual seguro, como por exemplo, regulamentar um órgão fiscalizador, adequar às Leis Gerais de Proteção de Dados (LGPD) para manter o espaço seguro, dentre tantas outras regulamentações que precisarão ser adaptadas à medida que a tecnologia se desenvolve.  

A cada dia que passa avançamos um passo rumo à evolução para que um novo mundo de infinitas possibilidades seja construído, proporcionando as melhores experiências imersivas a partir da inovação tecnológica. 

Se você se interessou pelo tema, clique aqui para entender como os avanços tecnológicos podem impulsionar um futuro mais eficiente.

Por Janaína Marsolla

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