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Mulheres na tecnologia: a representatividade que ajudou a digitalizar o mundo

Mulheres na tecnologia: a representatividade que ajudou a digitalizar o mundo

Você sabia que o primeiro ser humano considerado programador de computadores era uma mulher? Acreditaria se soubesse que durante a 2ª Guerra Mundial, quem decodificou os códigos nazistas e salvou a vida de milhares de reféns também era uma mulher atuando em conjunto com uma equipe 70% feminina? E se alguém te contasse que a tecnologia conhecida hoje como Wi-Fi também foi desenvolvida por uma mulher?

Desde tempos imemoriais, as mulheres revelam seu papel fundamental para a evolução da humanidade em diversas áreas, incluindo o desenvolvimento da tecnologia como conhecemos. De saberes ancestrais a grandes descobertas e execuções no campo da engenharia, ciência, matemática e computação, as mulheres sempre exerceram um papel extremamente importante no desenvolvimento de ferramentas, cálculos e processos imprescindíveis para muitas áreas da nossa vida e que nos impactam positivamente até hoje. 

Apesar deste ecossistema ser composto – maioritariamente – por homens, é fato que as mulheres construíram a base da tecnologia, da computação e da internet. Entretanto, elas foram completamente apagadas da história, sem nunca terem recebido os devidos créditos perante tanta evolução e desenvolvimento que proporcionaram ao mundo. 

Mulheres que fizeram do mundo evoluir

Se formos mencionar todas as mulheres que foram essenciais para o desenvolvimento das áreas de STEM – ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em inglês – teríamos uma lista longa. Por isso, escolhemos apenas alguns exemplos para propor um vislumbre das mulheres que revolucionaram a história.

Ada Augusta King, a Condessa de Lovelace, foi uma matemática aristocrata e a primeira programadora de computadores do mundo, criando o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina. Grace Murray Hopper foi a mulher que desenvolveu a programação complexa que deu origem à linguagem COBOL – utilizada atualmente pelos grandes bancos. 

Como se já não fosse o suficiente, mesmo vivendo em uma época em que o racismo era explícito, Dorothy Johnson Vaughan liderou um grupo de mulheres negras e matemáticas dentro da NASA e foi uma das responsáveis pelos cálculos que levaram o astronauta John Glenn a orbitar ao redor da Terra, no ano de 1962. Joan Clarke, mulher matemática e criptoanalista, contribuiu para acelerar a decodificação de mensagens nazistas durante a 2ª Guerra Mundial e salvou inúmeras vidas. 

Com todas essas contribuições fundamentais, não poderíamos deixar de mencionar também Hedy Lamarr – ela foi uma atriz de Hollywood e inventora. Durante a 2ª Guerra Mundial, Hedy Lamarr criou, em conjunto com o compositor e inventor George Antheil, um aparelho de interferência em rádio para despistar os nazistas. Esse aparelho foi a base para o que hoje conhecemos como Wi-Fi e para a tecnologia CDMA utilizada nos primeiros smartphones.

A representatividade feminina na área da tecnologia

Apesar das grandes contribuições na área da tecnologia, dados do IBGE informam que apenas 20% dos profissionais do mercado de Tecnologia da Informação (TI) são mulheres. Ainda hoje, mulheres são marginalizadas e desestimuladas no ecossistema da indústria 4.0 e, mesmo sabendo que têm o direito de participar ativamente contribuindo com o progresso científico e tecnológico, representam a minoria em cargos técnicos e de liderança em empresas de tecnologia. 

Um estudo realizado pela UNESCO em 2018 sobre a Diferença Global de Gênero (Global Gender Gap) aponta que as mulheres não estão se beneficiando totalmente das oportunidades direcionadas à especialistas altamente qualificados em áreas tecnológicas, como Inteligência Artificial, onde apenas uma em cada cinco profissionais – representando apenas 22% do quadro de trabalhadores – são mulheres.

Fato curioso é que apesar de momentos históricos e fundamentais para o desenvolvimento da computação, da engenharia e da ciência terem sido protagonizados por mulheres, a discriminação de gênero baseadas em estereótipos, pode fazer com que elas percam os denominados “empregos do futuro”. A consequência disso pode afetar a longo prazo o papel e os direitos das mulheres na sociedade. 

As mulheres são predominantes no ensino superior em comparação aos homens, mas representam menos de 30% dos pesquisadores do mundo – de acordo com o estudo Mulheres na Ciência, também realizado pela UNESCO. A ausência de estímulo e o estereótipo predominante que enreda o ecossistema da tecnologia faz com que as mulheres sejam menos remuneradas em suas pesquisas, recebam menos oportunidades para bolsas de estudos – se comparado ao gênero masculino – e suas carreiras dificilmente progridem tanto quanto os homens. Não à toa, Stephanie ‘Steve’ Shirley, uma mulher refugiada do holocausto que não só desenvolveu o primeiro software embarcado da Boeing, como também fundou uma empresa de software de enorme sucesso que empregava principalmente mulheres, na década de 1960, precisou mudar sua assinatura para ‘Steve Shirley’ a fim de ter seus esforços reconhecidos no ecossistema tecnológico.

Essa sensação de desvalorização também é a principal razão para que muitas mulheres abandonem seus cargos no mundo da tecnologia. Entretanto, é fundamental que consigam o direito de exercerem seu papel na economia digital. Sem a presença feminina para acompanhar e contribuir com o desenvolvimento tecnológico e com o impacto da Inteligência Artificial na sociedade, corre-se o risco de que suas necessidades sejam negligenciadas no design de processos, serviços e produtos que impactam diariamente a vida da população. 

Para que a revolução digital seja inteligente e para que a indústria 4.0 prospere, tornando o futuro um lugar justo para todos os seres, é preciso construí-la de forma inclusiva, transformando as relações de gênero e garantindo não só oportunidades, como também salários iguais.

Ainda temos uma longa jornada para alcançarmos a igualdade de gêneros e contribuir para que o protagonismo feminino tenha seu espaço reconhecido dentro do ecossistema da ciência e da tecnologia. Ainda que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha elegido o dia 08 de março como o Dia Internacional das Mulheres, para simbolizar as lutas e conquistas referentes à igualdade de gênero, representando a luta histórica das mulheres para garantir direitos iguais, a conscientização sobre a importância das mulheres na história representa o primeiro passo em prol de um futuro melhor. 

Se você se interessou pelo tema, clique aqui para aprender mais sobre como podemos implementar práticas relacionadas à igualdade de gênero, diversidade e inclusão no ambiente de trabalho.

Por Janaína Marsolla

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