Em atendimento à legislação eleitoral, os demais conteúdos deste site ficarão
indisponíveis de 2 de julho de 2022 até o final da eleição estadual em São Paulo.

Não há “Planeta B”: é preciso fazer valer o Acordo de Paris e conter a mudança climática

Não há “Planeta B”: é preciso fazer valer o Acordo de Paris e conter a mudança climática

Em 2021, acordamos cada dia mais perto de uma catástrofe global que pode inviabilizar a existência humana no planeta. De acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), órgão das Nações Unidas, a ação humana foi a causa direta da alta de 1,07°C na temperatura global, que em 2020 ficou cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial. “É inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra”, diz trecho do documento. Outra conclusão alarmante apresentada no relatório é que, se não houver redução radical nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), uma alta de 1,5°C a 2°C na temperatura global ocorrerá ainda neste século.

Para evitar uma calamidade sem precedentes, governos, empresas e líderes da sociedade civil de todo o mundo devem se unir com o mesmo objetivo: limitar o aumento da temperatura média no planeta a até 1.5°C, conforme preconiza o Acordo de Paris. É passada a hora de disciplinar setores que provocam o desmatamento e implementar alternativas globais à extração de petróleo, mas não apenas. Frente aos efeitos atuais e esperados, especialistas de todo o mundo apontam que também é preciso promover adequações. Isso porque os dois tipos de ações efetivas no combate à mudança climática são a mitigação e  a adaptação. A mitigação refere-se à redução das emissões de GEE para desacelerar ou reverter o aumento da temperatura; enquanto a adaptação busca gerenciar os impactos projetados e orientar transformações. No quadro atual, a adaptação é necessária independentemente do quanto consigamos reduzir as emissões de GEE, pois as emissões históricas já alteraram o clima de maneira irreversível.

Os impactos da crise climática provocam uma perigosa reação em cadeia e aumento da ocorrência de eventos extremos como secas, ondas de frio e de calor, incêndios florestais, inundações, furacões, nevascas e diversos tipos de instabilidade. As projeções não são animadoras. Segundo o Diagnóstico Regional das Américas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos da IPBES (Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services), se o atual cenário for mantido, a redução média das populações de espécies por hectare poderá atingir 40% até 2050, extinguindo milhares, talvez milhões de espécies das Américas. Atualmente, o aumento da temperatura vem causando a redistribuição geográfica de vegetais e animais. Essas alterações distributivas criam e desfazem ecossistemas e comunidades ecológicas. Inevitavelmente essas mudanças afetam também as populações humanas.

Os impactos sociais da mudança climática não ficam aquém de seus efeitos biológicos. Fome em grande escala, ondas migratórias, crises de refugiados, escassez de água, apagões energéticos, regiões urbanas em desertificação acelerada ou ameaçadas pela elevação do nível do mar, distúrbios civis gerados pela disputa por recursos. É certo que a mudança climática deve aprofundar desigualdades, atingindo de forma diferente habitantes do Sul e do Norte global, provocando restrições drásticas ao acesso de recursos disponíveis e ampliando a precariedade de aglomerados humanos periféricos. 

Apesar disso, o Brasil tem dado mau exemplo no combate à mudança do clima. Recentemente, o texto base da Medida Provisória 1.031/21, que privatizou a Eletrobras, criou a obrigação da contratação de 6.000 MW de termelétricas movidas a gás natural, além de pequenas usinas hidrelétricas distribuídas pelo país. Termelétricas são altamente poluentes. Para a produção de energia, liberam na atmosfera óxidos e dióxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio (formadores de ozônio de baixa altitude, prejudiciais à saúde), hidrocarbonetos, monóxido e dióxido de carbono, outros gases e particulados, muitos deles catalisadores do efeito estufa. Em paralelo,  pesquisa brasileira publicada na revista científica “Nature” indica que a Amazônia passou a emitir mais CO2 do que absorver, processo resultante das constantes queimadas na região. 

Mas boas notícias também existem. Recentemente, o governo de São Paulo editou decreto que assegura o compromisso estadual de zerar a emissão de GEE até 2050, com a elaboração e publicação, em até 12 meses, do “Plano de Ação Climática Net Zero 2050”. Por meio deste, serão estabelecidas metas intermediárias a serem cumpridas no período de 2030 a 2040. O estado também aderiu às campanhas Race do Zero e Race to Resilience,  que compõem a agenda da ONU para o desenvolvimento de programas de mitigação e adaptação, respectivamente. Um passo importante, mas que só causará os impactos desejados se reproduzido por outros estados, pelo país e por todo o mundo. A atmosfera é uma só, e não conhece limites geográficos criados pelo homem.

por Rafaela Marques

Compartilhe:

Outros posts:

guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Governo do Estado de SP