O futuro do uso de dados: tecnologia para o desenvolvimento econômico e social

O futuro do uso de dados: tecnologia para o desenvolvimento econômico e social

“Dados são o novo petróleo”. Essa frase, uma tradução livre para “data is the new oil”, foi pronunciada pela primeira vez por Clive Humby, cientista de dados e matemático, e rapidamente se tornou um chavão exaustivamente repetido nos grandes mercados de tecnologia. Embora impactante, a frase de Humby não corresponde à realidade. Dados não são um recurso natural escasso, tampouco uma commodity, mas uma fonte de conhecimento à nossa disposição, e cujo uso está em crescimento exponencial.

Apesar do debate frequente sobre o uso de dados, seu emprego não é novidade na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. Em São Paulo, em 1978 foi criada a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados – Fundação Seade, tornada hoje um centro de referência nacional na produção e disseminação de análises e estatísticas demográficas e socioeconômicas. Atualmente, a instituição desenvolve e aprimora continuamente metodologias e ferramentas voltadas para a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas.

A Fundação coloca à disposição de outros órgãos públicos, de empresas e da sociedade projeções socioeconômicas que ajudam a direcionar investimentos e ampliar a oferta de capacitações para determinados mercados. Periodicamente, são coletados junto aos cartórios os dados referentes aos óbitos gerais, nascimentos, casamentos e óbitos fetais em todos os municípios de São Paulo. Não se trata de uma amostra — é o universo geral, com um milhão e duzentos mil registros de todos os eventos a cada ano.

Cada vez mais, o desenho de políticas públicas será orientado pela demanda apontada nas projeções populacionais, que atualmente já estimam, por exemplo, o número de crianças em idade escolar, a esperança de vida dos idosos e o número de crianças na faixa-etária de imunização. “São várias as possibilidades (de emprego dos dados). Podemos responder se precisaremos,  em determinada região, de mais lares para idosos ou de mais creches. Também conseguimos traçar estratégias para combater a disseminação de doenças e direcionar investimentos”, afirma Mônica La Porte Teixeira, Chefe do Departamento de Produção de Indicadores Demográficos no Seade e Doutora em Epidemiologia.

Este trabalho é fundamental para preparar a máquina pública para o futuro. Por meio dele, São Paulo sai na dianteira em uma corrida na qual o uso da tecnologia impulsiona a coleta, o armazenamento e a classificação dos dados em fluxo infinito. Nas próximas décadas, as técnicas avançadas para projetar, modelar, alinhar, executar e ajustar modelos de tomada de decisão serão decisivas para a gestão pública, e a estratificação de dados deve passar do nível estatístico ao granular. 

“A qualidade da informação é fundamental. Não adianta trabalharmos com grandes bases se as informações que constam nelas não forem confiáveis ou não estiverem detalhadas. Acredito que, no futuro, novos métodos de refino dos dados abrirão possibilidades ainda mais promissoras”, destaca Mônica. Tantas transformações, e tão significativas, geram oportunidades inéditas para a inovação em governo. Mas é preciso começar desde já.

Pensando nisso, o Programa IdeiaGov, junto com a Fundação Seade, lançaram, por meio da inovação aberta, o desafio “Como extrair e associar as informações de diferentes tipos de documentos digitais ao banco de dados do sistema de estatísticas demográficas do Estado de São Paulo?”, que visa buscar soluções de mercado para melhorar a vinculação automática dos arquivos (documentos digitalizados e arquivo de texto) e a leitura automática dos campos dos documentos enviados pelos cartórios de todo o Estado de São Paulo.

Para saber mais sobre o edital, clique aqui.

Por Rafaela Marques

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