O que podemos aprender sobre as colaborações internacionais entre governos?

O que podemos aprender sobre as colaborações internacionais entre governos?

Observar, compartilhar e aprender: colaborações cross-border para resolver desafios globais e entregar melhores serviços públicos

Assim como todo e qualquer país, o Brasil tem seus próprios desafios públicos e oportunidades de melhoria nos serviços ofertados à população. O processo de transformação digital é uma forma – sendo a tecnologia, sua ferramenta – para tornar os processos públicos mais intuitivos, ágeis, eficientes e menos burocráticos. 

Talvez você questione se a digitalização dos processos e serviços públicos é a solução e se tudo é tão simples quanto parece. A resposta é que a digitalização é, sim, parte importante da solução, mas isso só é possível a partir de uma mudança estrutural na mentalidade dos atores e setores envolvidos, incluindo a sociedade – que precisa participar e engajar de forma ativa do processo de desenvolvimento das soluções. 

Colaboração Brasil – Dinamarca

Apesar de estarmos em processo de digitalização de políticas públicas e serviços, o Brasil é um dos governos mais marcantes do mundo, segundo Terkel Borg – Conselheiro da Embaixada da Dinamarca no Brasil e, a Dinamarca já está em seu próprio processo de digitalização há mais de 20 anos. Isso significa que o Brasil pode alavancar e acelerar seu processo de transformação digital a partir da parceria entre ambos os países, aproximando os setores públicos de ambos para ajudar o Brasil a desenvolver seu governo digital, fomentar laços econômicos e comerciais entre as nações e, consequentemente, aumentar sua competitividade no exterior, além de impulsionar o desenvolvimento econômico e social interno. 

Definir estratégias a partir de uma perspectiva social para compreender etapas do processo, determinar o foco dos investimentos públicos, levar a digitalização ao mercado e à população e definir estratégias a partir de uma perspectiva jurídica para pensar como desenvolver mais serviços entre as nações e definir quais recursos tecnológicos serão necessários para eventuais medidas, são essenciais para esse processo de digitalização. 

Culturas diferentes e uma mentalidade inovadora

Ainda que o setor público tenha a infraestrutura necessária e, o setor privado tenha os recursos tecnológicos, além de uma visão estratégica e sistêmica dos processos, é preciso relembrar que as políticas de digitalização, os desafios e a cultura se diferem entre as nações – o que aumenta a complexidade do desafio de encontrar o “caminho do meio” para o diálogo entre Brasil e Dinamarca. 

Para melhorar a parceria e tornar os serviços públicos melhores é preciso, sobretudo, focar no aspecto individual do ser humano ao pensar em inovação. Com foco no indivíduo, ou seja, no cidadão, é possível trabalhar em prol de uma mentalidade inovadora – de dentro para fora do ecossistema. 

Durante o 2º Fórum de Inovação em Governo do IdeiaGov, Terkel Borg comentou que atualmente a Dinamarca está trabalhando em uma transição verde para construir uma sociedade mais sustentável, desenvolvendo ferramentas, tecnologias e dados para promover a sustentabilidade ambiental – atuando em prol de causas globais, como no combate à crise climática.

A partir da observação, do compartilhamento de aprendizados e da criação em conjunto, o Brasil pode se beneficiar da colaboração entre governos internacionais para compreender o que deve (ou não) ser reproduzido, qual a escalabilidade das iniciativas internacionais e como adaptá-las internamente, explorando possibilidades e recordando o foco em atuar a favor das pessoas e do planeta, transformando não só indivíduos, mas organizações, suas missões e políticas internas. 

Mentalidade digital

A construção de uma mentalidade digital é o primeiro passo rumo a grandes transformações – sejam elas locais ou globais. Para que novas tecnologias, metodologias e soluções possam surgir, é preciso refletir sobre esse ser um processo que depende muito mais das pessoas envolvidas do que da tecnologia em si. Refletir sobre seus impactos e complexidades ao trabalhar na construção e implementação de uma mentalidade (mindset) digital dentro do ecossistema de inovação e do setor público, principalmente.

CiviTech Alliance Global Scale-Up Programme

As colaborações cross-border, ou seja, as colaborações internacionais podem assumir diferentes formatos desde que os objetivos da parceria estejam bem alinhados e definidos para orientar a direção das iniciativas. Seja para resolver desafios locais ou globais, as colaborações internacionais são muito importantes para estabelecer relações entre governos e resolver desafios do interesse público através da inovação, da tecnologia e de uma rede de atores que compartilham como cada governo está agindo para resolver diferentes desafios para que novas soluções sejam possíveis através dessa rede de confiança e colaboração. 

O CiviTech Alliance Global Scale-Up Programme foi implementado com o objetivo de reunir setores, envolvendo órgãos públicos, a esfera privada e acadêmica, para recrutar conhecimentos a fim de resolver desafios relacionados à crise climática. Colaborações que reuniram pessoas para pensar sobre como inovar em governo, atrair e conectar empresas privadas de base tecnológica, como startups e scale-ups para combater os impactos oriundos das mudanças climáticas ao lado de investidores, agentes públicos e outros atores.

Com uma rede de conexão estabelecida no Brasil, o Global Scale-Up conta com membros como o IdeiaGov, InvestSP, BrazilLAB e o GovTech Lab da Lituânia para que problemáticas ambientais globais sejam resolvidas de forma conjunta e colaborativa, estabelecendo o que Mie Weite – Diretora do Programa de Doutorado na DTU, nomeou de “linguagem comum” entre atores e setores para construir inovação, compartilhar experiências, erros e aprendizados ao longo dos processos. 

Se você se interessou pelo tema, confira na íntegra tudo que rolou no painel “Colaboração Cross-Border: redes internacionais de inovação em governo” no 2º Fórum de Inovação em Governo do IdeiaGov que contou com a participação de Terkel Borg, conselheiro de inovação da Embaixada da Dinamarca no Brasil, Mie Weile, diretora do programa de doutorado na DTU (Technical University of Denmark), Kamila Gasinka, líder de parcerias estratégicas no GovTech Lab Lituânia, Roberto Speiceys, fundador da Scipopulis e Sylvia Romanelli, assessora de inovação da InvestSP.

Por: Janaína Marsolla

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Genival Gomes de Lima

Acredito que este site colabora com a evolução da humanidade como um todo, enfatizando seus aspectos de inteligência e criatividade. O tempo das guerras e da força já se perde nos horizontes do passado. A era tecnológica convida à participação e à colaboração e sugere novas leituras em todas as áreas.

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