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Plataformas de UTI CONECTADA apresentam os primeiros resultados de monitoramento remoto de pacientes internados

Plataformas de UTI CONECTADA apresentam os primeiros resultados de monitoramento remoto de pacientes internados

O Governo do Estado de São Paulo vem atuando diariamente com medidas de proteção para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da doença causada pela Covid-19. Atualmente, o monitoramento de pacientes internados é feito de forma presencial pelos profissionais da saúde, que seguem um protocolo com horários programados de visitas para cada paciente. Nessa visita, em geral, são aferidos sinais vitais a partir de monitores multiparamétricos, checagem de fluxo nas bombas de infusão e monitoramento de ventiladores, entre outros equipamentos que possam auxiliar na recuperação do paciente. 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, o percentual de trabalhadores da saúde afetados pela Covid-19 varia entre 8% e 10%. Considerando este cenário, a frequência de exposição de profissionais de saúde a pacientes internados por Covid-19 é diretamente proporcional ao risco de contaminação.

Cada vez que um profissional acessa um leito, é necessária a paramentação e desparamentação completa. A execução desta rotina aumenta o risco de infecção e aumenta os gastos com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) dos hospitais. Esse é um dos problemas que a tecnologia pode ajudar a resolver.

O IdeiaGov recebeu 19 propostas de soluções inovadoras para o enfrentamento da pandemia por meio de 4 chamamentos públicos. Das 19 soluções, duas foram selecionadas através do edital de UTI Conectada. As empresas Carenet e Lifemed apresentaram soluções inovadoras baseadas em tecnologias que permitem o monitoramento remoto de sinais vitais emitidos por equipamentos à beira leito em unidades intensivas de tratamento (UTIs) e enfermarias. Elas apresentaram as plataformas ORCHESTRA e INTEGRARE, respectivamente.

Para o acompanhamento e testes das soluções em ambiente real, foi criado um grupo de trabalho com profissionais de diferentes áreas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) e outros órgãos e entidades do Estado. 

Fazem parte da equipe: Ivisen Lourenço, Gerente de Inovação e Ecossistema do InovaHC; Gabriel Romitelli, Coordenador de Implantação de Soluções Inovadoras do IdeiaGov, bem como especialistas técnicos do HCFMUSP: Dra. Ho Yeh Li, Médica coordenadora da UTI-Infectologia do Hospital das Clínicas; Vilson Cobello Junior, Diretor Corporativo de TI do Núcleo Especializado em Tecnologia da Informação (NETI); Fábio Martins, Diretor Corporativo de Engenharia Clínica no HCFMUSP e Cleidson Cavalcante,  Pesquisador do Laboratório de Pneumologia (LIM-09).

Desde novembro de 2020, o grupo de trabalho do Desafio UTI Conectada tem convergido esforços de governo, academia e indústria para o início desta PoC, com o objetivo de constituir e testar um modelo viável de integração de equipamentos à beira leito em um contexto adverso como dos hospitais públicos: geralmente possuem uma grande heterogeneidade de marcas e modelos de equipamentos, bem como alta obsolescência e infraestrutura de internet insuficiente. Ao final desta PoC, pretende-se validar um modelo de processo que possa ser replicável para o restante do Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), bem como para as demais unidades de saúde do Estado de São Paulo. 

DIAGRAMA DE PARQUE HETEROGÊNEO DE EQUIPAMENTOS E FLUXO COMPARTILHADO DE DADOS

PROCESSO DE TESTES DAS PLATAFORMAS

Ao todo, serão integrados 35 leitos de Covid-19, respectivamente 10 leitos da UTI Respiratória | InCor, bem como 13 leitos de UTI FF e 12 leitos UTI GS do Instituto Central do Hospital das Clínicas. As plataformas ORCHESTRA (Carenet) e INTEGRARE (Lifemed) integrarão 3 modalidades de equipamentos de beira de leito: 

  • Monitores Multiparamétricos (MM); 
  • Ventiladores Mecânicos (VM); e 
  • Bomba de Infusão Contínua (BIC). 

Para efeito de testes adicionais, sem implicar no escopo ou avaliação da PoC, também estão sendo integradas 10 Camas Mecânicas (CM) na UTI Respiratória e 1 Cama Mecânica na UTI 11FF.

Devido à idade e diversidade de equipamentos e modelos, cada empresa integradora – Carenet e Lifemed – arcou com parte do esforço e aprimoramento tecnológico para conectar 35 MMs e VMs, 132 BICs e 11 CMs dos fabricantes Nihon Kohden, Philips, Getinge, Magnamed, Lifemed e BBraun

Os modelos de equipamentos integrados pela Carenet terão seus dados enviados em tempo real para a sua solução ORCHESTRA e, simultaneamente, serão compartilhados com a solução INTEGRARE da Lifemed. Nesta mesma arquitetura, os modelos de equipamentos integrados pela Lifemed terão seus dados enviados em tempo real para a sua solução INTEGRARE, com dados compartilhados simultaneamente para a solução ORCHESTRA da Carenet.

A troca complementar de dados entre ORCHESTRA e INTEGRARE será possível pela intermediação do ambiente de mensageria do NETi. Com esta arquitetura, será possível o armazenamento redundante nos servidores Lifemed e Carenet alocados fisicamente em dois institutos (ICHC e InCor). 

Os dashboards (visualizadores) INTEGRARE (Lifemed) e ORCHESTRA (Carenet) apresentarão, de forma independente e simultânea, os dados de todas as modalidades e modelos de equipamentos. 

BENEFÍCIOS PARA MÉDICOS, PACIENTES E HOSPITAIS

Com a evolução das etapas de trabalho, em Abril de 2021 já foi possível acessar todo o conjunto de dados (VM, MM, BIC e CM) por um único dashboard, de qualquer parte do Complexo HCFMUSP ou mesmo de forma remota.

Essa nova realidade amplia, e muito, a capacidade operacional, de segurança sanitária e de pesquisa. Ela possibilita que um profissional faça a supervisão e oriente o tratamento de diversos pacientes simultaneamente sem estar fisicamente presente. Quando um profissional intensivista visualiza todos os parâmetros vitais ao mesmo tempo, aumentam as chances de melhor compreender a doença. 

A monitorização e a maioria das orientações de condutas poderão ser feitas remotamente, distante do leito, reduzindo as possibilidades de contaminação cruzada entre pacientes e profissionais de saúde; 

A plataforma ainda melhora a qualidade assistencial, reduz o tempo despendido com cada paciente e contribui para uma melhor conduta para cada paciente. Quando todos os leitos e com respectivos sinais vitais podem ser monitorados a partir de um único ponto de observação, ampliam-se as chances do profissional de saúde detectar precocemente problemas com seus pacientes. Quanto antes os parâmetros de risco são detectados, maiores são as chances de melhora do paciente e menor o tempo de internação, o que reflete diretamente na redução de gastos com pacientes internados.  

PESQUISA & DESENVOLVIMENTO

Além dos benefícios imediatos, com o avanço do trabalho, a equipe almeja conquistar outros benefícios correlatos.

A integração dos dados de MM, VM, BIC e CM em um único servidor permite que a indústria e a academia invistam em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) de sistemas de detecção precoce de riscos durante a internação, automação de monitorização e alarmes e, até mesmo, identificar padrões de comportamento da doença e melhores tratamentos. 

O incentivo aos esforços de PD&I propiciam um bioma dinâmico de soluções para hospitais de pesquisa, como HCFMUSP e, ao mesmo tempo, melhoria contínua de produtos para as empresas. Além disso, será possível monitorar e adquirir dados gerados por um parque tecnológico diverso e obsoleto de hospitais de todo Estado de São Paulo.

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